La donna che scrisse la Bibbia (2004)

Voland, 2004
Um Menino Chamado Moisés (2004)

A Bíblia fala de Moisés como o homem que libertou um povo do sofrimento e da escravidão. Mas pouca gente sabe que Moisés, ainda menino, já era personagem de muitas histórias. E tinha vivido um monte de aventuras.
Uma história Farroupilha (2004)

A mais longa guerra civil da história do Brasil. A conquista e a colonização de áreas ainda pouco civilizadas do território gaúcho. A decisiva contribuição dos povos imigrantes para a riqueza da sociedade e da cultura brasileira. Perpassando esses e outros temas cruciais da formação do Rio Grande do Sul que hoje conhecemos, Moacyr Scliar apresenta uma novela que mistura realidade e ficção: a família de Johann Schmidt decide emigrar da Alemanha do início do século XIX para o extremo sul do Brasil em busca de melhores condições de vida. Após uma viagem estafante, chegam ao Rio Grande do Sul e instalam-se como colonos, cultivando a terra. Não tardará para que Franz e Rudoph, filhos de Johann, abandonem a lavoura para se lançar na luta dos revoltos farroupilhas, chefiados por Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi que, na década de 1830, perseguem idéias de justiça e independência em relação ao governo imperial.
Pipocas (2003)

O cavalo imaginário Nós todos frequentávamos o mesmo colégio, naquela pequena cidade do interior. Um colégio privado, e muito caro, o que, para nossos pais, não chegava a ser problema: éramos, meus amigos e eu, filhos de fazendeiros. Nossos pais tinham grandes propriedades. E tinham muito dinheiro. Nada nos faltava. Andávamos sempre muito bem-vestidos, comprávamos o que fosse necessário para o colégio e gastávamos bastante no bar da escola. Aos domingos nos reuníamos para andar a cavalo. Cavalos não faltavam nas fazendas de nossos pais, animais de puro-sangue e bela estampa. Cada um de nós tinha a sua própria montaria, e não estou falando de pôneis, aqueles cavalinhos mansos; não, estou falando de cavalos de verdade, cavalos que corriam muito e saltavam obstáculos. Estou falando de equitação, aquele nobre esporte. Nossos pais faziam questão de que fôssemos excelentes ginetes. Tínhamos até um professor, que nos treinava na arte de cavalgar. Eu disse que cada um de nós tinha um cavalo, mas isso não é verdade. Havia um que não tinha cavalo. O Francisco. O Francisco não era filho de fazendeiro. O pai dele tinha uma profissão humilde, era sapateiro. Na verdade, o Francisco só estava em nossa escola porque havia recebido uma bolsa de estudos – era um garoto muito inteligente e muito dedicado. Mas o que fazia em nosso grupo? Boa pergunta. Acho que nenhum de nós saberia como responder. Diferente dos outros garotos da escola – a maioria dos quais nos detestava –, ele tinha por nós uma admiração que beirava a reverência. Sempre que podia estava por perto. Mais do que isso, oferecia-se para prestar pequenos serviços. Se um de nós queria um refrigerante, o Francisco ia buscar. Se um de nós deixava de apresentar o trabalho solicitado pelo professor, Francisco se encarregava de fazê-lo. Por isso, e só por isso, nós o tolerávamos. Por isso, e só por isso, permitíamos que andasse conosco. Durante a semana, bem entendido; porque no domingo as coisas mudavam. No domingo ele voltava para o seu lugar. Domingo era o dia de cavalgar, e, do alto de nossas selas, nós contemplávamos, altaneiros, o mundo a nosso redor. Como eu disse, Francisco não tinha cavalo. Isso não impedia que cedo já estivesse no clube hípico, esperando por nós. Ficava a olhar-nos, enquanto galopávamos de um lado para o outro. E nós gostávamos de tê-lo como plateia, porque nos aplaudia entusiasticamente. Mais do que isso, procurava imitar-nos: galopava de um lado para o outro, como se estivesse montando um cavalo imaginário. Nós na pista, cavalgando – ele, ao lado da pista, trotando de um lado para outro e gritando como nós gritávamos, aqueles brados que os cavaleiros soltam quando se entregam ao esporte das rédeas. De um modo geral, achávamos engraçado aquilo. Não Rodrigo. Era um cara desagradável, aquele Rodrigo. Mesmo nós, que éramos amigos dele, tínhamos de reconhecer: um garoto intratável, agressivo com os colegas e até com os professores. A má fama que o nosso grupo tinha devia-se sobretudo a ele. Mas a verdade é que tínhamos de aceitá-lo: seu pai não apenas era o maior fazendeiro da região, como também ocupava o cargo de prefeito da cidade. Rodrigo era seu filho caçula – e o mais mimado. Um garoto estragado, como dizia meu pai. Rodrigo não gostou nada daquela história. E nos disse: – Não quero mais saber desse tal de Francisco nos imitando. Procuramos convencê-lo de que se tratava apenas de uma brincadeira. Inútil: Rodrigo estava furioso mesmo. – Vou resolver essa coisa à minha maneira – garantiu. Foi o que fez. Num domingo, enquanto Francisco cavalgava seu cavalo imaginário, Rodrigo se aproximou dele. Apeou e comandou: – Desça de seu cavalo. Francisco obedeceu: desceu do fictício cavalo. Nós vamos fazer uma aposta – disse Rodrigo. – Se eu perder, entrego-lhe o meu cavalo. Se você perder, entrega-me o seu. – Que aposta é? – indagou Francisco, numa voz trêmula. – Uma corrida – disse Rodrigo. Apontou umas árvores, a uns duzentos metros de distância: – Até ali, e voltamos. Quem chegar aqui primeiro, ganha. Lembro-me de que o sangue me subiu à cabeça. – Olha aqui, Rodrigo – comecei a dizer –, você não pode – Francisco me interrompeu: – Eu aceito a aposta – disse, com voz firme, ainda que meio embargada. – Quero correr. Foi uma coisa patética de se ver. Os dois se colocaram lado a lado e, a um sinal, começou aquela coisa maluca. Rodrigo simplesmente trotava em seu magnífico cavalo, Francisco corria atrás – sem conseguir alcançá-lo. Rodrigo foi até as árvores, voltou. Minutos depois Francisco, ofegante. Rodrigo mirou-o com arrogância: – Parece que eu ganhei, não é mesmo? Francisco, ainda ofegante, permanecia calado. – Seu cavalo agora é meu – continuou Rodrigo. – E sabe o que vou fazer com ele? Vou soltá-lo no campo. Ele agora está livre, você não pode mais montar, entendeu? Francisco, quieto. Rodrigo apanhou as rédeas imaginárias e foi até o portão do clube. Ali, espantou o suposto cavalo aos gritos. Feito isso, montou em seu próprio cavalo e foi embora. Francisco nunca mais foi ao clube. Aliás, ele nem ficou na cidade. Segundo o pai, tinha ido morar com os avós num lugar bem distante. Nunca mais o vi. Não sei o que foi feito dele. Dizem que vende automóveis, não sei. Mas tenho certeza de que sei com o que sonha: com um belo cavalo, no qual, montado, galopa à vontade por um imenso campo que não tem limites. Moacyr Scliar. In: Pipocas / Moacyr Scliar, Rubem Fonseca, Ana Miranda. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 10-13. Coleção Literatura em minha casa; v.2 Crônica e conto. A orelha de van Gogh Estávamos, como de costume, à beira da ruína. Meu pai, dono de um pequeno armazém, devia a um de seus fornecedores importante quantia. E não tinha como pagar. Mas, se lhe faltava dinheiro, sobrava-lhe imaginação… Era um homem culto, inteligente, além de alegre. Não concluíra os estudos; o destino o confinara no modesto
Surpreenda-me
A surpresa, o inesperado, o insólito se tornaram um ideal de vida. O surpreendente é o “Abre-te, Sésamo” do nosso tempo.
Ilha deserta (2003)

Se você fosse obrigado a ir para uma ilha deserta levando apenas 10 obras, o quê escolheria e por quê? Nestes três livros estão reunidas as escolhas de grandes escritores, compositores, músicos, cineastas, jornalistas e intelectuais, que contam as histórias que os fizeram decidir por esses filmes ou livros ou discos. Há ainda, no volume de literatura, um epílogo escrito por Nuno Ramos sobre o mais famoso dos náufragos: Robinson Crusoé.
Entre Moisés e Macunaíma (2003)

Co-autor: Marcio Souza Neste livro temos a rara aportunidade de conhecer as reflexões de dois dos maiores escritores brasileiros – ambos de origem judaica – sobre seus vínculos com o judaísmo como referência étnica, efetiva e cultural. Dois testemunhos lúcidos de como é viver “entre Moisés e Macunaíma”, na prosa límpida e saborosa de Moacyr Scliar e Márcio Souza.
Saturno nos trópicos (2003)

A melancolia se transformou em verdadeiro clima de época na passagem da Idade Média para o Renascimento: época da Peste Negra e da caça às bruxas. O sentimento melancólico nascia dessa conjuntura sombria, mas também – paradoxalmente – de novos horizontes abertos nas ciências e na arte. Ao mesmo tempo, uma euforia de especulação comercial tomava conta da Europa. É então que, cruzando o Atlântico, as naus européias chegam ao Brasil trazendo as sementes da melancolia. Essa é a trajetória reconstruída por Moacyr Scliar em Saturno nos trópicos, livro que incursiona pela literatura, pelas artes plásticas, pela medicina e pela política para traçar um panorama abrangente da história da melancolia e de suas repercussões na cultura brasileira. A narrativa se desdobra em três momentos: a Antiguidade clássica, a Renascença e o Brasil durante a transição para a modernidade. Scliar fala sobre o rei Saul, sobre anatomia, bruxaria e sífilis, sobre Dürer e Bruegel, Hamlet, Policarpo Quaresma e Jeca Tatu, Cervantes, Machado de Assis, Lima Barreto, Paulo Prado e Clarice Lispector. Seus conhecimentos médicos se unem à habilidade de escritor consagrado: erudição e estilo se completam de forma espirituosa e fluente. O autor elabora, assim, um painel sobre um tema de grande importância para o entendimento da condição brasileira de hoje. Scliar faz um estudo de fôlego sobre a melancolia européia herdada pelo Brasil – sentimento contra o qual o país lutou e que busca substituir pela esperança. Ouça o book trailer:

























