Se eu fosse Rothschild (1993)

A citação ano figura na lista dos gêneros literários. Por ser curta? Bem, talvez lhe falte a autonomia de outros gêneros, já que freqüentemente é extraída de um texto maior. De qualquer forma, trata-se de injustiça. Pois a citação não é apenas a síntese de um pensamento, como expressão de uma época. Não há nenhuma prova de que Galileu Galilei (1564-1643) tenha dito “eppur si muove”, mas esta simples sentença é um marco: não é só a Terra que se move, é a história também, e ao mover-se deixa para trás toda a tradição medieval. Se não foi Galileu quem falou, foi o seu tempo. Coletar citações é uma arte. No caso de citações judaicas, uma arte tornada complexa pela abundância: só a Bíblia é uma fonte inesgotável. O Dictionary of Quotations from the Bible (Margareth Miner & Ruth Rawson, eds., New York, Signet, 1990) tem cerca de três mil citações; Bible Wisdom for Modern Living, David Brown, ed., New York, Simon and Schuster, 1986), cerca de sete mil, e embora estas sejam obras preparadas por pessoas com fervor religioso para leitores idem, nenhum livro de citações que se preze deixa de reservar várias páginas para o Antigo e o Novo Testamento: centenas de citações, que aqui faltam. “Faça-se a luz.” “Não é bom que o homem fique só.” “Foste pesado na balança e encontrado muito leve.” “Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.” “Olhai os lírios do campo.” “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos!” “Meu nome é Legião.” E depois há o Talmud, e as historietas de humor, e os numerosos escritores… Enfim, uma seleção muito difícil, principalmente quando não se pretende uma coletânea exaustiva e muito menos definitiva. Uma palavra deve ser dita sobre o critério de organização aqui utilizado. Livros de citações têm um público certo – políticos, empresários, conferencistas – pessoas que os usam quando precisam falar sobre um tema específico; desta forma, as obras são organizadas por assuntos, e se restringem à citação em si, no máximo acompanhado de uma pequena nota. Preferi o critério histórico: frases (ou versos, ou historietas, ou títulos de livros, ou expressões) que marcaram época. Há uma curta explicação sobre autores e contextos, na qual outras citações podem – por associação (freqüentemente livre) – figurar. O que temos, pois, são vozes que, ecoando ao longo dos séculos, balizam a trajetória de um singular grupo humano; vozes, muitas vezes dissonantes, que falam de glória e sofrimento, de perseguição e de realização. É esta uma escolha pessoal, não só do escritor, como também do menino do bairro judeu do Bom Fim, em Porto Alegre, que escutou ou leu essas palavras, ora divertido, ora impressiona do, sempre com emoção.

Sonhos Tropicais (1992)

Romance sobre Oswaldo Cruz, responsável pela introdução no Brasil do controle científico das epidemias e protagonista da Revolta da Vacina. Um diagnóstico preciso de uma sociedade que, travada pela miséria e pelo atraso, abre-se com relutância para a modernidade. Enquanto aguarda a chegada ao Rio de Janeiro de um pesquisador norte-americano interessado na vida do sanitarista Oswaldo Cruz, um médico desempregado relata e reexamina a vida e as lutas desse pioneiro da medicina experimental no Brasil que, no início do século, em meio a dificuldades de toda ordem, combateu as epidemias de peste bubônica, febre amarela e varíola que grassavam não apenas no interior mas na própria capital federal, e renovou por completo as políticas de saneamento básico no país. Sonhos tropicais é um romance que, além de acompanhar a polêmica trajetória de um homem cujos métodos inovadores levaram à eclosão da famosa Revolta da Vacina, delineia o panorama de toda uma época crucial, fazendo o diagnóstico preciso de uma sociedade que, travada pela miséria e pelo atraso, abre-se com relutância para a modernidade. Ouça o book trailer:

Arqueologia da Emoção

Não se pode, mesmo mobilizando todo o bairrismo disponível em nossos corações porto-alegrenses, dizer que esta seja uma cidade marcante. Não temos nada que nos coloque no mapa do mundo. Nosso símbolo, o Laçador, não tem a imponência (e nem a altura) da Estátua da Liberdade, do Cristo do Corcovado ou do obelisco de Buenos Aires; e é antes uma evidência de nostalgia rural do que uma homenagem à cidade.

Nostalgia praiana

No último fim-de-semana vi na praia uma pequena carreta puxada por bodes. Era uma carretinha elegante, com rodas de bicicleta, cromadas, e destinava-se a servir de cenário para um fotógrafo. Uma sofisticação dos antigos veículos praianos, no qual passeavam as crianças que hoje são profissionais liberais, comerciantes ou políticos.

Sonhos Tropicais (1992)

Romance sobre Oswaldo Cruz, responsável pela introdução no Brasil do controle científico das epidemias e protagonista da Revolta da Vacina. Um diagnóstico preciso de uma sociedade que, travada pela miséria e pelo atraso, abre-se com relutância para a modernidade. Enquanto aguarda a chegada ao Rio de Janeiro de um pesquisador norte-americano interessado na vida do sanitarista Oswaldo Cruz, um médico desempregado relata e reexamina a vida e as lutas desse pioneiro da medicina experimental no Brasil que, no início do século, em meio a dificuldades de toda ordem, combateu as epidemias de peste bubônica, febre amarela e varíola que grassavam não apenas no interior mas na própria capital federal, e renovou por completo as políticas de saneamento básico no país. Sonhos tropicais é um romance que, além de acompanhar a polêmica trajetória de um homem cujos métodos inovadores levaram à eclosão da famosa Revolta da Vacina, delineia o panorama de toda uma época crucial, fazendo o diagnóstico preciso de uma sociedade que, travada pela miséria e pelo atraso, abre-se com relutância para a modernidade. » Prêmio Jabuti 1993 de Melhor Romance Ouça o book trailer:

Do Éden ao Divã – Humor Judaico (1991)

Judaísmo e humor são categorias inseparáveis. Ao longo de milênios, o povo judeu foi acumulando um verdadeiro tesouro de histórias, provérbios e anedotas, ao qual se acrescentou o trabalho de grandes escritores. Esta antologia refaz uma trajetória – batizada por risos e sorrisos – que começa na Bíblia e chega até os nossos tempos. Nestas páginas convivem Tevie, o leiteiro, e a mãe judia; Franz Kafka e Woody Allen; psicanalistas e casamenteiros. Uma valiosa contribuição de um sofrido povo ao humor e à cultura universal. Mais do que um livro de anedotas, “piadas de judeu”, Humor Judaico explora, na cultura e nas tradições jucaicas, as origens do humor judaico. Os autores encontram nas histórias da Torá, no Talmude, e nos textos filosóficos medievais e modernos, o embasamento para os textos satíricos e anedotas registradas a partir do século XIX, culminando com os comediantes americanos modernos, e contextualizando o desenvolvimento desse modo de ver a vida em cada tempo e lugar onde se expressou.