A voz do poste (2008)

Com o estilo leve e cativante que lhe é característico, o imortal gaúcho Moacyr Scliar revisita, em A Voz do Poste, temas recorrentes em sua vasta e premiada obra – como a imigração judaica no Brasil e a medicina – para contar a vida de um jovem que ousou acreditar no seu sonho, correr atrás deste ideal e fazê-lo valer a pena, ainda que lutando contra tudo e contra todos. O título é inspirado na trajetória de Maurício Sirotsky Sobrinho, filho de judeu-russos que imigraram para o Brasil, e que se tornou o pioneiro das telecomunicações no Rio Grande do Sul. Na trama, Scliar apresenta ao leitor a fictícia Santiago do Oeste, no interior gaúcho, onde Josias, o primogênito dos imigrantes judeu-russos Samuel e Raquel, alimenta o desejo de trabalhar numa rádio, como locutor, contrariando os planos do pai de que fosse médico. Sem querer nada com os estudos, o jovem fazia apenas delirar ouvindo as ondas radiofônicas – um desgosto para toda a família, especialmente para Samuel, e que, mal sabia ele, iria metê-lo em grandes confusões. Josias acaba encontrando, então, o apoio que lhe faltava para alçar novos vôos em seu vizinho, Onofre, que fora justamente dono da única emissora de rádio da cidade. Assim, incentivado pelo amigo que dividia a mesma paixão e entusiasmo pelo rádio, o adolescente dá nova vida a um antigo serviço de alto-falantes, instalados nos postes da praça – mais conhecido pelo povo como a Voz do Poste. Um mergulho corajoso, seguindo seu dom, na carreira radiofônica, apesar da contrariedade, olhar atravessado e cara amarrada de seu pai. Logo, a Voz do Poste cai no gosto da população santiaguense, tão carente de novidades. Notícias, entrevistas, críticas, receitas, música – uma programação variada que agrada em cheio a todos, menos Samuel. Uma inesperada epidemia de varíola, porém, atravessa o caminho da bem-sucedida – ainda que improvisada – rádio de Josias, que acaba virando joguete de cidadãos raivosos e políticos oportunistas, todos contrários à campanha de vacinação e sabedores do poder de alcance daquele veículo. Agora, a figura do doutor Bento, chefe do posto médico de Santiago do Oeste, tão admirado por Samuel, estava em xeque, e ainda mais a de Josias, que precisava tomar partido da situação e enfrentar quem quer que fosse em prol do que era correto. Afinal de contas, a sua voz era a Voz do Poste, falando todos os dias para cada cidadão, e, como tal, deveria ser justa, brava, lutadora, regida pelos princípios da retidão, honestidade e verdade. Assim, quem sabe, Josias conseguiria conquistar a atenção e o respeito do único ouvinte que lhe faltava, o mais importante de todos: seu pai.

Leituras de escritor (2008)

Uma família aprisiona a mãe doente em um mundo de faz de conta a fim de protegê-la. A estupidez generalizada transforma um professor vigarista em celebridade. Uma joia emprestada e perdida arruína a vida de um casal. Um galanteador em férias apaixonase por uma dama com um cachorrinho. Essa coletânea reúne contos de Anton Tchekhov, Julio Cortázar, Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant, João Simões Lopes Neto, Frank Stockton, Franz Kafka, Gabriel García Márquez, Mário de Andrade, Jack London, Lima Barreto, Clarice Lispector, Machado de Assis e Érico Veríssimo.

Chave de ouro

Organizado pela professora gaúcha Zila Bernd, “Dicionário de Figuras e Mitos Literários das Américas” trata da realidade cultural do continente e reúne mais de uma centena de ensaios, alguns escritos por especialistas do Rio Grande do Sul.

Enigmas da Culpa (2007)

Ao dissecar a culpa com paciência e sabedoria, o escritor e médico gaúcho Moacyr Scliar enlaça o leitor neste enigma: afinal, por que a culpa é um fenômeno universal, presente em qualquer cultura, e tão demasiado humana? Com conhecimento de causa e respaldado por uma sólida pesquisa, Scliar resgata as origens da culpa dos pontos de vista pessoal, histórico, religioso e psicanalítico. Em Enigmas da Culpa, o autor provoca o riso ao lembrar de situações tragicômicas e suscita a reflexão ao discorrer sobre Freud e Marx. Para apresentar os mais variados aspectos da culpa no cinema e na literatura, Scliar recorre a Kafka, Dostoiévski, Woody Allen, Philip Roth e Mel Brooks, entre outros artistas de origem judaica. “A mãe judia. Ah, a mãe judia. Eis uma personagem que vive na fronteira entre a realidade e a ficção, como mostram os livros de Philip Roth e os filmes de Woody Allen. É uma figura relativamente recente na história judaica. A mãe judia nasce nas aldeias da Europa Oriental. Permanentemente alarmada pela ameaça dos pogroms, da fome e da doença, ela recorria ao antídoto universal, a comida. Superprotetora, a mãe judia traduzia sua proteção no alimento. ‘Come!’ era a sua palavra de ordem. Se não tínhamos fome, tínhamos culpa. Se não comíamos, era a elas que estávamos recusando.”

O texto, ou a vida (2007)

Esta obra mistura autobiografia – a opção paralela pela medicina, o acidente de carro que quase o matou – com uma antologia de seus grandes momentos – seja como romancista, contista ou cronista. A obra ainda apresenta textos raros, alguns escritos ainda na adolescência de Scliar – um dos mais prestigiados escritores brasileiros contemporâneos. Como nasce um artista (neste caso, da palavra)? E se, paralelo a este nascimento, ele também abraça a vocação da medicina, a mais vital e humana das ciências? Pois este homem, escritor e médico, que pergunta e responde – com imensa curiosidade, com freqüente humor, com tocante generosidade – sobre os destinos da arte e do mundo que ela retrata, é Moacyr Scliar, autor de uma fecunda obra e de uma trajetória como poucas no Brasil. Ouça os book trailers:

Do jeito que nós vivemos (2007)

A internet, os livros, os vizinhos, a figura do malandro, a vaidade, a velha história da relação entre homens e mulheres são alguns dos temas das crônicas presentes em ‘Do jeito que nós vivemos’, de Moacyr Scliar. O olhar perspicaz do cronista flagra as cenas mais comuns do nosso cotidiano, da nossa vida de todos os dias, e as registra nessas páginas. Este livro traz o grande romancista para muito perto de nós. E, como disse Luís Fernando Verissimo, é muito bom tê-lo em nossa vizinhança.

Um estreante chamado Erico

Ganha nova edição a versão corrigida do livro de estreia de Erico Verissimo, o volume de contos Fantoches, cujas margens o autor gaúcho preencheu com desenhos, garatujas e anotações.