Lançamento do “Concurso Literário Scliar 80 anos” marca início da semana de incentivo à leitura

Aconteceu na manhã desta terça-feira, 18 de abril, o lançamento do Concurso Literário Scliar 80 anos. O evento realizado em parceria com o Sistema Educacional de Bibliotecas do Estado – SEBE e Secretaria de Educação, contou com a presença de professores da rede estadual de ensino, do sub-secretário da Secretaria de Turismo, Esporte, Lazer e Cultura, Vítor Hugo e do secretário de educação, Luís Alcoba. Na oportunidade, foi realizada a leitura de uma poesia por Luís Coronel. O evento marca o início da semana de incentivo à leitura e o dia do livro.

Lançamento do “Concurso Literário Scliar 80 anos” acontece nesta terça, 18

O ano de 2017 marca a comemoração de 80 anos de um dos escritores mais queridos e consagrados de nosso país: Moacyr Scliar (23 de março de 1937 – 27 de fevereiro de 2011). Ao longo do ano, uma vasta programação que englobará reedições de livros e crônicas, mesas redondas sobre a obra do autor, exibição de filmes baseados em suas obras literárias, leituras dramáticas e peças teatrais, conduzirão um passeio pelas diferentes temáticas abordadas pelo escritor. Em ação conjunta à SEBE (Sistema Educacional de Bibliotecas do Estado), será lançado nessa terça-feira, 18, o “Concurso Literário Scliar 80 Anos”, para alunos da rede de Ensino Fundamental do Estado. No dia do livro, uma homenagem ao autor será realizada durante a abertura do seminário para professores da rede estadual. O lançamento do concurso visa incentivar as novas gerações à conhecer o legado da obra de Scliar. Evento: Lançamento do Concurso Literário Scliar 80 Anos Local: Auditório CAFF (Centro Administrativo Fernando Ferrari) Data: 18/04 Horário: 9:00

Projeto Eu Leio promove leituras de obras do escritor Moacyr Scliar

O ano de 2017 marca a comemoração de 80 anos de um dos escritores mais queridos e consagrados de nosso país: Moacyr Scliar (23 de março de 1937 – 27 de fevereiro de 2011). Ao longo do ano, uma vasta programação que englobará reedições de livros e crônicas, mesas redondas sobre a obra do autor, exibição de filmes baseados em suas obras literárias, leituras dramáticas e peças teatrais, conduzirão um passeio pelas diferentes temáticas abordadas pelo escritor. Colaborando com essa programação, o Instituto Estadual do Livro (IEL) promove nessa terça-feira, 18, o evento Eu Leio Scliar. Para o IEL, Scliar foi um intenso colaborador, participando de eventos, como colunista em publicações, visitando escolas pelo Autor Presente, entre outras contribuições. O Projeto Eu Leio é uma homenagem dos escritores para escritores. Consiste em uma breve leitura (aproximadamente 2min) de um trecho da obra do autor homenageado, realizada por outro escritor. Ao longo de três edições, o projeto Eu Leio já homenageou Mário Quintana (2016), Sérgio Napp (2016 ), e Carlos Urbim ( 2015). Nesta edição o Projeto homenageará Scliar e contará com a presença de escritores como Cristina Macedo, Ana Mello, Armindo Trevisan, Alexandre Brito, Bárbara Sanco, Breno Serafini, Cacá Mello, Cândido Brasil, Cathe De Leon, Cíntia Moscovich, Cristina Macedo, Débora Jardim, Denise Weinréb, Doralino Souza, Elisa Henkin, Gladis Berriel, Jacira Fagundes, Jorge Martins, Jorge Rein, José Eduardo Degrazia, Jussara Mello, Lourdes Kauffman, Luiz Coronel, Luiz Paulo Faccioli, Marion Cruz, Marô Barbieri, Martha Medeiros, Milene Borazzet, Patrícia Langlois, Paulo Wainberg, Rafael Ban Jacobsen, Rafael Guimaraens, Rejane Romani Rech, Ricardo Silvestrin, Sérgio Borja, Sidnei Schneider, Tabajara Ruas, Valesca de Assis, Viviane Gil, Waldomiro Manfroi. Evento: EU LEIO SCLIAR Local: Sala da Música – Multipalco Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro , s/n.) Data: 18/04 Horário: 19:00 Entrada Franca. Mais informações: IEL – Instituto Estadual do Livro ( Patricia Langlois e Andrea Russomano ) Fone: 33146451 Páginas Projeto Eu Leio e Moacyr Scliar.

Metade homem, metade cavalo, à procura de Sião

Era uma vez um centauro judeu nascido no Brasil, uma história rara e brilhante. E era uma vez Moacyr Scliar, o médico-escritor que a escreveu em 1980 e que continua a ser uma referência. Por: João Pedro Vala Título: “O Centauro no Jardim” Autor: Moacyr Scliar Editora: Caminho Páginas: 328 Em O Centauro no Jardim, Moacyr Scliar conta a história de Guedali Tartakovsky, um centauro judeu nascido em 1935 no interior do Brasil. No entanto, ao contrário do que seria de esperar (e contrariando o que acontece nas duas grandes narrativas da literatura ocidental do século XX de que este romance é herdeiro, a Metamorfose de Kafka e a história de Benjamin Button, de Fitzgerald), a nota dominante do romance não é o horror à monstruosidade mas antes a ternura. Guedali sente uma imensa ternura pelos pais quando os entrevê uma vez a dormirem juntos, as suas irmãs estão constantemente enternecidas pelo irmão mais novo e é com ternura que Guedali fala do momento em que conhece a sua mulher, Tita, também ela uma centaura. Contudo, o talento de Moacyr Scliar revela-se na simplicidade com que esta ternura se articula com uma melancolia que nunca cai no histerismo ou na afectação, sendo o exemplo maior desse convívio o momento em que Guedali narra a felicidade que sentira quando lhe fora permitido aprender violino. O centauro passeia-se pelos campos a tocar violino até que uma corda se parte. Aí, sem que nada o fizesse prever e com um tom extraordinariamente sóbrio, o centauro arremessa o violino da família para o fundo do rio e tenta suicidar-se com uma violência tal que apanha o leitor completamente desprevenido. Sozinho no porão, extraio de uma tábua podre um grande prego. Golpeio-me repetidamente o dorso, o ventre, as patas, o peito, mordendo os lábios para não gritar. O sangue brota, não paro, continuo a me ferir” (página 51). É esta entrada em cena da melancolia que nos permite perceber a estridência com que Guedali e quase todas as outras personagens se agarram à ternura e àqueles que os rodeiam para dessa forma afugentarem a solidão e a melancolia que os persegue. Assim, a doçura de O Centauro no Jardim não nasce de uma crença irredutível na bondade da humanidade mas antes da construção de uma boia a que as personagens se agarram desesperadamente para não se afogarem, enquanto tentam fingir que o oceano lhes dá pelo pescoço. Ainda a propósito desta ideia, é de notar que o judaísmo em O Centauro no Jardim não é apenas um cenário à frente do qual a história se desenrola, mas antes uma força que, ainda que em surdina, influencia fortemente o romance. Quando Guedali nasce, o pai, espantado ao ver o centaurinho, consegue apenas refrasear o livro de Job, tentando perceber porque fora ele o escolhido para tal infortúnio: “Por quê foi ele o escolhido, e não um cossaco da Rússia? Por quê ele, e não um peão, um fazendeiro dos arredores? Por quê? Que crime cometeu? O que fez de errado para que Deus o tenha castigado dessa maneira? Por mais que se interrogue, não consegue atribuir-se pecados, pecados graves, pelo menos. Faltas menores, talvez. Já ordenhou uma vaca num sábado” (página 30). É, no entanto, em Guedali e em Paulo, o seu melhor amigo, que se revela com maior força a influência judia. Paulo vive a vida inteira a desejar regressar a Israel. Paulo insiste repetidamente na ideia de que se sente vazio e deslocado no Brasil e só encontra conforto quando decide construir, em plena São Paulo, um condomínio fechado que reproduza, com todos os luxos, um kibutz, para que, não podendo já regressar a Sião, a Terra Prometida venha até si. Da mesma forma, a tensão causada pela distância a casa e o desconforto por aparentar ser semelhante aos que o rodeiam sem, apesar disso, conseguir pertencer a nenhum sítio é o que leva a que Guedali, depois de deixar de ser centauro, deseje repetidas vezes ter de novo as patas traseiras ou voltar à casa onde nascera, mesmo que esta esteja coberta de vegetação, podre e completamente inacessível. Esta vontade de pertença reflecte-se ainda na forma como Guedali lê. Uma vez que a sua condição de centauro, em pleno século XX, o obriga ao isolamento e o força a passar os dias recolhido em casa, Tartakovsky passa muitas horas a estudar. Guedali lê inúmeros romances, lê o Antigo Testamento de fio a pavio, lê Freud e lê Marx. No entanto, ao ler, apenas uma coisa o preocupa: Guedali salta páginas inteiras, parando apenas quando encontra palavras-chave, como cauda, galope e, principalmente, centauro, porque lê à procura de explicações para aquilo que é, e o valor que dá ao que estuda está inteiramente dependente do que de si mesmo lá encontra: Psicanálise, materialismo dialético- nada, nada; ficção- nada; nada parecia aplicável ao meu caso. Centauro, irremediavelmente centauro. E nenhuma explicação plausível” (página 76). Guedali franze os olhos para que os cavalos da Bíblia se transformem magicamente em centauros e para que possa, assim, encontrar algum lugar a que pertença, mas o máximo que consegue é que estes se transformem em camelos, não conseguindo assim moldar as Escrituras de forma a que a elas possa, tal como o resto da sua família, pertencer. Se tudo o que acima é dito é verdade, o que mais impressiona em O Centauro no Jardim é, todavia, o apuradíssimo sentido de humor de Scliar (note-se a este respeito o momento em que Guedali narra o momento em que a parteira lhe preparara cuidadosamente a cama depois do parto e acrescenta entre parêntesis: “pensaste em palha, parteira? Confessa, pensaste em palha?” (página 28)) bem como a minúcia com que o escritor constrói esta fábula, fazendo sempre o seu enorme virtuosismo depender do interesse da história. Nenhum pormenor é descurado por Scliar: desde os primeiros passos de Guedali que, sendo metade cavalo, são dados logo nos seus primeiros dias de vida (“as mãos ainda se movem sem propósito, incoordenadas, os olhos

Scliar 80 anos: lançamento de livro póstumo marca aniversário do escritor gaúcho

Filho de imigrantes europeus, criado no Bom Fim, Moacyr Scliar (1937-2011) escolheu a medicina como profissão e abraçou a literatura como vocação. Escritor de mão cheia, sabia como ninguém traduzir sentimentos em palavras. Este mês, ele completaria 80 anos, deixando uma vasta carreira literária e um belo legado para a nossa cultura. Para marcar a data, a trajetória de Scliar será revivida através de uma série de eventos programada para este ano. No dia 23 de março, aniversário de Scliar, será lançado na Livraria Cultura a coletânea “A Nossa Frágil Condição Humana”, editada pela Companhia das Letras. Esse é o terceiro volume de uma série de crônicas escritas para o jornal Zero Hora, do qual Scliar foi colunista e colaborador durante 34 anos. O organizado pela professora Regina Zilberman, “A Nossa Frágil Condição Humana” reúne 68 crônicas, publicadas entre 1977 e 2010. Nelas o autor reflete sobre questões ligadas ao judaísmo, revisitando sua infância e crescimento, assim como fatos históricos sobre a religião judaica. O evento começa às 19h30, com abertura de Cláudia Laitano, leituras de Mirna Spritzer e debate com Regina Zilberman, Cíntia Moscovich e Mirna Spritzer. Ainda em março, mais dois eventos marcam as comemorações de aniversário do escritor. No dia 22, uma homenagem será realizada pelo corpo clínico e acadêmico da UFRGS. Já no dia 30, a USP organiza um simpósio literário em homenagem aos 80 anos de Scliar. Confira a agenda: 22 de março – 11h: Homenagem do corpo clínico e acadêmico da UFRGS. 23 de março – 19h30: Lançamento do livro de crônicas “A Nossa Frágil Condição Humana”. Com abertura de Cláudia Laitano, leituras de Mirna Spritzer e debate com Regina Zilberman, Cíntia Moscovich e Mirna Spritzer. Na Livraria Cultura, em Porto Alegre. 30 de março: Simpósio na USP coordenado pela professora Berta Waldman.

Moacyr Scliar revisitado: 80 anos de nascimento do escritor serão comemorados com série de eventos

Agenda prevê leituras, mesas-redondas, encenações, exposições e sessões comentadas de filmes Por: Alexandre Lucchese A memória sobre Moacyr Scliar (1937 – 2011) ficará mais viva em 2017. A partir de março, uma série de eventos vai celebrar os 80 anos de nascimento do autor de A Guerra no Bom Fim (1972), O Centauro no Jardim (1980), A mulher que Escreveu a Bíblia (1999) e dezenas de romances e volumes de contos e crônicas. Com bate-papos, espetáculos, projeções de filmes e lançamentos de livros, a agenda de comemorações foi construída em sua maior parte pelos próprios familiares do escritor. – Muitos escritores de qualidade acabam esquecidos ou em segundo plano com o tempo, independentemente da força de suas obras. A família tem peso importante na preservação desse legado – explica Judith Scliar, viúva de Moacyr Scliar. No dia 23 de março, data de nascimento do autor, um grande lançamento está previsto na Livraria Cultura. Será a chegada do livro A Nossa Frágil Condição Humana, reunião de 68 crônicas escritas para ZH entre 1977 e 2010. Editada pela Companhia das Letras, a seleção de textos foi realizada pela professora Regina Zilberman, privilegiando reflexões a respeito do judaísmo. – São crônica judaicas, sobre a infância e o crescimento do Moacyr, o Holocausto e o conflito entre Israel e Palestina. Ele sempre foi um pacifista, o que é possível observar nestas crônicas, que seguem atuais – diz Judith a respeito do livro. Também em março mais dois tributos estão marcados, organizados por universidades: no dia 22, há uma homenagem do corpo clínico e acadêmico da UFRGS; e, no dia 30, está programado um simpósio literário na USP. Além das atividades já confirmadas, mais eventos devem ser incluídos no calendário ao longo do ano, segundo Judith: – Na medida em que vamos entrando em contato com as pessoas, mais ideias surgem. Um dos mais procurados encontros deverá ser uma mesa-redonda entre os escritores Ignácio de Loyola Brandão, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura e Antônio Torres. O bate-papo está marcado para o dia 26 de maio, mas ainda sem local definido. Os autores vão abordar a literatura de Scliar e as características de sua geração. – Esse projeto reúne atrações para todos os gostos, com um calendário variado, para que todos os interessados possam participar de pelo menos uma das atividades – diz o jornalista Gabriel Oliven, irmão de Judith, também organizador dos eventos. Para a esposa do escritor, é preciso apresentar a literatura de Scliar às novas gerações: – Moacyr era incansável em termos de viagens. Visitava todos eventos literários, feiras e colégios que sua agenda permitia. Hoje, percebo que as gerações com menos de 20 anos já não conhecem tanto o trabalho dele quanto as anteriores, que puderam ter esse contato mais direto. Confira a agenda de homenagens 22 de março Homenagem do corpo clínico e acadêmico da UFRGS. 23 de março Lançamento do livro de crônicas A Nossa Frágil Condição Humana. Abertura do evento com Cláudia Laitano, leituras com Mirna Spritzer e debate com Regina Zilberman, Cíntia Moscovich e Mirna Spritzer. Às 19h30min, na Livraria Cultura, em Porto Alegre. 30 de março Simpósio literário sobre Moacyr Scliar. Na USP, em São Paulo. 18 de abril Encontro ¿Eu Leio Scliar¿, realizada pelo Instituto Estadual do Livro (IEL), com diferentes escritores lendo seus trechos preferidos de Scliar. Sem local definido. 26 de maio Bate papo sobre Moacyr Scliar e sua geração com Ignácio de Loyola Brandão, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura e Antônio Torres. Sem local definido. Agosto Sessões comentadas dos filmes Sonhos Tropicais e Um Sonho no Caroço do Abacate, baseados em livros do escritor. Data e local em definição. Setembro Relançamento do livro Humor Judaico, pela Companhia das Letras, com performances e bate-papo. Data e local em definição. Outubro Apresentação do grupo teatral Mazel Tov, com Mirna Spritzer, Zé Vitor Castiel e Sérgio Lulkin, música klezmer de Claudio Levitan e exposição sobre a obra médica e formação clínica de Scliar. Anfiteatro da Santa Casa, em Porto Alegre. Data a ser definida. Novembro Relançamento de Histórias de Porto Alegre e Porto de Histórias, pela L&PM Editores. Na Feira do Livro de Porto Alegre. Data a ser definida. Novembro ou dezembro Espetáculo teatral A Mulher que Escreveu a Bíblia, com a atriz Inez Viana. Data e local em definição.   Fonte: Zero Hora