Melhores contos de Moacyr Scliar (1984)

Quando o fantástico se junta ao humor o resultado é no mínimo insólito, surpreendente, inesperado, sobretudo se for o humor judaico levado ao extremo, autopunitivo, a meio caminho entre o desespero e a ironia. Junte-se a isso, doses bem controladas de erotismo, de sagrado (e de uma permanente tentação de dessacralização), uma certa jocosidade, e temos os principais ingredientes que compõem a arte do contista Moacyr Scliar. Essa simples mistura, evidentemente, não basta para fazer um bom conto ou agradar o leitor. Isso depende exclusivamente do talento do autor, da perícia com que controla a técnica do conto, de sua visão maliciosa do mundo, da eleição dos temas, de uma certa impiedade com que trata as personagens, em contraste com a sua piedade pela condição humana. A contradição é a primeira marca do humano. E o universo de Moacyr Scliar é povoado por seres humanos, ou atormentados por sentimentos humanos, sejam eles simples mortais, um anão que vive no interior de um aparelho de televisão ou um cadáver, deitado na mesa de um necrotério, que avalia e julga os alunos de Medicina que lhe retalham o corpo. Situação insólita mais realismo da descrição e o resultado é a mudança de perspectivas do conto, a sua sedimentação como apólogo ou parábola do mundo moderno. Claro, quando se fala dos dias atuais, a violência, a crueldade do homem para o semelhante, a exacerbação do sexo, utilizado como elemento de dominação, têm de estar presente. Uma outra grande vertente da ficção de Scliar é a vida dos imigrantes judeus, as dificuldades de adaptação, a persistência em manter hábitos trazidos de sociedades muito diversas que, como observa Regina Zilbermann no prefácio, enfocadas com uma mal disfarçada ternura, constituem a forma mais aguda da arte de Scliar assumir sua própria individualidade e significação.
Memórias de um Aprendiz de Escritor (1984)

Moacyr Scliar, médico e escritor, coloca em obra de ficção sua autobiografia de menino entre livros e autores, sobretudo os clássicos brasileiros e estrangeiros. Em suas narrativas ele mostra que um bom autor é, antes de tudo, um bom leitor.
A estranha nação de Rafael Mendes (1983)

Ao entregar-se a esta história fascinante, o leitor penetrará no mundo mágico da ficção de Moacyr Scliar. E, pela mão do grande contador de histórias, passeará no tempo, na vertiginosa saga da família Mendes. Do ventre da baleia, onde o profeta Jonas é lançado, aos escândalos financeiros e à corrupção do poder no Brasil contemporâneo, sucedem-se admiráveis peripécias, por meio das quais Scliar conta a tumultuada história dos cristãos-novos através dos tempos. Ouça o book trailer:
A Festa no Castelo (1982)

O mundo mágico e requintado da aristocracia italiana, um jovem idealista, um velho sapateiro que quer mudar o mundo, o golpe de 1964, medos, festas, falências, conflitos de família, sonhos de um mundo sem exploradores nem explorados. Enfim, todo o talento e a magia da ficção de Moacyr Scliar estão neste A festa no castelo. Aclamado pelo público e pela crítica como um dos mais importantes nomes da moderna literatura brasileira, Moacyr Scliar é autor, entre outros sucessos, de O exército de um homem só (L&PM POCKET), A guerra no Bom Fim, O centauro no jardim, Doutor Miragem (L&PM POCKET), Os voluntários (L&PM POCKET) e Mês de cães danados; uma obra extensa e fundamental, cheia de criatividade e profundamente enraizada no nosso tempo.
No amor (1982)

Sinopse Um grupo de artesãos vende carteiras, cintos, bolsas e sandálias na rua da Ladeira, mas a produção é desorganizada e rende pouco. Um jovem empresário resolve investir nos garotos, divide-os em grupos de trabalho e diminui as horas de lazer. Em troca, oferece-lhes um ótimo lugar para morar. A “empresa” passa a dar lucro, mas os que trabalham continuam ganhando pouco. Adaptação: Baseado no conto “O Mistério dos hippies desaparecidos”, de Moacyr Scliar. Ficha Técnica Direção: Nelson Nadotti Elenco: Oscar Simch, Pedro Santos, Marta Biavaschi, Angel Palomero, Xala Felippi, Soraia Simaan, Cleide Fayad, Paulo Mello, Deborah Lacerda, Marco Antônio Sorio, Grupo Vende-se Sonhos Roteiro: Nelson Nadotti, Hélio Alvarez, Álvaro Luiz Teixeira Direção de Arte: Norberto Lubisco Música: Ayres Pothoff Montagem: Alpheu Ney Godinho Produção: Hélio Alvarez – Prêmio de Melhor Curta Metragem no Festival de Cinema de Gramado de 1982
Cavalos e Obeliscos (1981)

O Coronel Picucha é um lendário personagem da Revolução de 23, misteriosamente desaparecido. Ernesto, seu neto, é um jovem de 17 anos, que passa o tempo escrevendo sobre as fabulosas histórias do avô, seu grande ídolo. Um dia a vida de Ernesto vira de cabeça para baixo, quando descobre que seu avô está vivo, mas seu herói, morto. O que é ficção e o que é a realidade?
Max e os felinos (1981)

O alemão Max, um garoto sensível, cresceu sob a severidade de seu pai que sempre lhe incutiu medos e inseguranças. Envolve-se, mais tarde com Frida, esposa de um militar Nazista, o que faz que tenha que abandonar o país. Em meio a viagem de barco, é obrigado, graças a um naufrágio, a dividir o pequeno espaço de um barco com um imenso Jaguar, um felino que sempre lhe aterrorizou. O livro tornou-se conhecido após o autor, Moacyr Scliar, comentar em um jornal que o Best Seller A vida de Pi seria parcialmente um plágio de seu livro Max e os Felinos. Moacyr Scliar conquistou, pela qualidade de seu trabalho, um lugar de destaque na moderna literatura brasileira. Ouça o book trailer:
O Centauro no Jardim (1980)

Reedição do premiado romance sobre uma família judia na qual nasce um centauro — um ser metade homem, metade cavalo. O centauro no jardim foi eleito em 2002 pelo National Yiddish Book Center, dos Estados Unidos, um dos cem melhores livros de temática judaica escritos em todo o mundo nos últimos duzentos anos No interior do Rio Grande do Sul, na pacata família Tratskovsky, nasce um centauro: um ser metade homem, metade cavalo. Seu nome é Guedali, quarto filho de um casal de imigrantes judeus russos. A partir desse evento fantástico, Moacyr Scliar constrói um romance que se situa entre a fábula e o realismo, evidenciando a dualidade da vida em sociedade, em que é preciso harmonizar individualismo e coletividade. A figura do centauro também ilustra a divisão étnica e religiosa dos judeus, um povo perseguido por sua singularidade. Guedali cresce solitário, excluído da sociedade, e o isolamento o leva a cultivar o hábito da leitura. Inteligente e culto, é ele quem conduz a narrativa, feita a partir do dia de seu 38°- aniversário, comemorado entre amigos num restaurante de São Paulo. O centauro rememora sua vida desde o nascimento em Quatro Irmãos, passando pela juventude em Porto Alegre, onde se casa com Tita — também centaura —, até chegar ao Marrocos, onde o casal vai tentar uma cirurgia que os transforme em pessoas normais. Depois de inúmeros percalços, Guedali acaba voltando para São Paulo e o desenlace desconcertante de suas lembranças completa com profundidade essa narrativa provocadora. Ouça o book trailer:
























