Clube de Cultura completa 65 anos buscando se manter à altura da própria história

Reportagem de Zero Hora aborda os 65 anos de fundação do Clube de Cultura e a inspiração na obra de Moacyr Scliar. O Capitão Birobidjan é o personagem principal do já clássico O Exército de um Homem Só, de Scliar. Corajoso, solitário e utópico, Birobidjan é uma fantasia inspirada em Henrique Scliar, o “tio Henrique” do escritor. No mundo fantástico da literatura, o Capitão almejava construir um Palácio da Cultura. No mundo real, e por que não fantástico da Porto Alegre dos anos 1950, Henrique Scliar foi o idealizador e um dos fundadores do Clube de Cultura. Espaço no Bom-Fim mantém-se na ativa, mesmo necessitando de apoio para tocar reformas e projetos Por: Airan Milititsky Aguiar * e Rafael Kruter Flores **  Mestre em História pela PUCRS e presidente do Clube de Cultura ** Secretário do Clube de Cultura Capitão Birobidjan é o personagem principal do já clássico O Exército de um Homem Só, de Moacyr Scliar. Corajoso, solitário e utópico, o Capitão Birobidjan é uma fantasia inspirada em Henrique Scliar, o “tio Henrique” do escritor. No mundo fantástico de Scliar, o Capitão almejava construir um Palácio da Cultura. No mundo real, e por que não fantástico da Porto Alegre dos anos 1950, Henrique Scliar foi o idealizador e um dos fundadores do Clube de Cultura. O Clube de Cultura foi fundado em 30 de maio de 1950 por 14 judeus progressistas, determinados a criar um espaço para atividades artístico-culturais que não encontravam acolhida nos lugares já consagrados da cidade. A atual sede, no número 1.853 da Rua Ramiro Barcelos, foi inaugurada em 1958. Nos anos 1950, realizaram palestras e exposições no Clube nomes como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Aparício Torelli (o Barão de Itararé), Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves e Vasco Prado. Naquela época, grupos de teatro judaico-progressistas de países e Estados vizinhos realizaram apresentações em ídiche. A comemoração do aniversário, em 1961, contou com a participação de Elis Regina. O Centro Popular de Cultura da UNE apresentou o Auto dos 99%, texto que embalava as discussões sobre a reforma do ensino superior. Fez-se presente também o Teatro de Arena com a peça Revolução na América do Sul, de Augusto Boal, bem como com palestras de Vianinha. A sétima arte não ficou de fora. O memorável Clube de Cinema de Porto Alegre somou P. F. Gastal a Jacob Koutzii. A tradição do canto popular, vinda do Leste Europeu, foi consagrada na regência do coral por Esther Scliar. Em 1962, o Clube de Cultura, então restrito a membros da comunidade judaica, abriu suas portas à comunidade mais ampla. O grupo de teatro do Clube encenou A Prostituta Respeitosa, de Sartre. Nos embalos do novo ritmo brasileiro, organizou o espetáculo Bossa 64. Com o advento do golpe militar, o Clube perdeu muitos membros, mas se manteve ativo tendo à frente, além de Henrique Scliar, Hans Baumann, André Paulo Franck e Salomão Schwartz. O símbolo da resistência era erguido mais uma vez, denunciando o regime de exceção. Apesar de todas as adversidades oriundas da repressão, a vida do Clube se manteve intensa. Especial destaque para a montagem teatral dos “redescobertos” textos de Qorpo Santo. O Grupo de Teatro do Clube de Cultura recebeu prêmios por essa montagem, inédita, e consagrou Qorpo Santo como um expoente da literatura brasileira. Ainda nos anos 60, a Frente Gaúcha de Música Popular, formada por Raul Ellwanger, Edgar Pozzer, Cezar e Paulo Dorfman, Cláudio Levitan, entre outros, buscava romper as cadeias da indústria cultural. Nos anos 70, Carlos Gerbase e Jorge Furtado organizaram oficinas de cinema. Nos anos 80, a Cooperativa de Música de Porto Alegre – Coompor – badalou o Bom Fim com o projeto Coompor Canta Lupi. Dali saíram grandes nomes da cena local como Nelson Coelho de Castro, Bebeto Alves e Gelson de Oliveira. Caio Fernando Abreu, Luciano Alabarse e Carlinhos Hartlieb montavam e estreavam os textos de Caio no auditório Henrique Scliar. Nele estreou Nei Lisboa. O Auditório Henrique Scliar, homenagem em vida a um dos idealizadores do Clube, não está mais em condições de receber grandes eventos culturais. O Palácio do Capitão necessita ser reformado. Mesmo assim, mantém suas portas abertas realizando atividades como saraus, palestras, cursos, debates, apresentações musicais e de cinema. Além disso, funciona de segunda a sábado o Restaurante Midbar, com gastronomia inspirada no Oriente Médio. Um dos projetos para o futuro é a organização de uma biblioteca. O Clube conta com um acervo importante de seus antigos membros e doações diversas. O acervo deverá ser catalogado e disponibilizado em uma biblioteca que funcionará também como sala de leitura e estudos. Outro projeto que anima os atuais membros da entidade é a reedição da Kinderland (em ídiche, mundo da criança). A ideia é equipar uma sala para criar um espaço de convívio para crianças. Mas o mais importante e fundamental projeto é a reforma do Auditório Henrique Scliar. Palco de grandes acontecimentos culturais da cidade, o espaço tem enorme potencial de uso para a cultura local, mas está desativado. Para tanto, a diretoria do Clube vem tentando viabilizar financiamento via lei de incentivo e parcerias. Neste 30 de maio, o Clube completa 65 anos de existência. Com períodos de mais ou menos intensidade e de diferentes formas de inserção na vida cultural da cidade, o Clube de Cultura resiste, há 65 anos, por sua capacidade de reinventar-se. Reinventa-se, mas mantém o propósito que animou seus fundadores: abrir espaço para atividades culturais que não encontram acolhida nos espaços convencionais de cultura da cidade. É um lugar de utopias, esperança e cultura. O Clube de Cultura está vivo e resiste, no coração do Bom Fim. Assim como o Capitão Birobidjan. Fonte: Zero Hora  

Passado, presente e futuro se unem nas crônicas do Acadêmico

Judith Scliar, viúva do Acadêmico, médico e escritor Moacyr Scliar, falecido em 27 de fevereiro de 2011, convida para que se visite o link www.moacyrscliar.com/cronicas, onde, todos os sábados, a partir de amanhã, dia 21 de março, será postada uma crônica do escritor, publicada nos jornais Zero Hora e Folha de S. Paulo. Os interessados poderão visitar também a fan page do autor (www.facebook.com/MoacyrScliarOficial). O leitor terá a oportunidade de revisitar o passado, o presente, e o futuro, que se unem nas crônicas de Moacyr Scliar. De acordo com o a viúva do Acadêmico, “a crônica é um capítulo à parte na carreira dele”. Disse, ainda, que, a partir dos anos 70, Scliar dedicou-se com afinco a esse gênero, com presença constante nos jornais de grande circulação. “De 1973 a 2011, escreveu semanalmente para o jornal Zero Hora sobre temas cotidianos, saúde, bem-estar e atualidades, Em 1993, passou a assinar uma coluna na Folha de S. Paulo, criando histórias de ficção sobre fatos reais”. O espaço dedicado às crônicas de Scliar será abastecido toda semana por um texto diferente, extraído de seu trabalho na imprensa e de coletâneas já publicadas. “Com seu olhar aguçado, o autor usa como matéria-prima detalhes do cotidiano, sempre permeado pelo humor”, afirma Judith Scliar. A primeira crônica a ser postada no link recebeu o título de “Escrevendo o futuro” e foi publicada no jornal Zero Hora de 26 de dezembro de 1999. Saiba mais Sétimo ocupante da Cadeira nº 31, eleito em 31 de julho de 2003, na sucessão de Geraldo França de Lima, Moacyr Scliar nasceu em 23 de março de 1937 e faleceu em 27 de fevereiro de 2011, em Porto Alegre, aos 73 anos. Em 1962, formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Especialista em Saúde Pública e Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública exerceu a profissão junto ao Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Sandu). Foi professor visitante na Brown University (Department of Portuguese and Brazilian Studies) e na Universidade do Texas (Austin), nos Estados Unidos. Frequentemente, era convidado para conferências e encontros de literatura no país e no exterior. Seu primeiro livro, publicado em 1962, foi Histórias de Médico em Formação, contos baseados em sua experiência como estudante. Em 1968 publica O Carnaval dos Animais, contos que considerava de fato sua primeira obra. Autor de 74 livros em vários gêneros: romance, conto, ensaio, crônica, ficção infanto-juvenil, escreveu, também, para a imprensa. Obras suas foram publicadas em muitos países: Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália, Rússia, Tchecoslováquia, Suécia, Noruega, Polônia, Bulgária, Japão, Argentina, Colômbia, Venezuela, Uruguai e Canadá. Teve textos adaptados para o cinema, teatro, tevê e rádio, inclusive no exterior. Foi, durante 15 anos, colunista do jornal Zero Hora, onde discorria sobre medicina, literatura e fatos do cotidiano. Colaborou com a Folha de S. Paulo desde a década de 90. Moacyr Scliar é considerado um dos escritores mais representativos da literatura brasileira contemporânea. Os temas dominantes de sua obra são a realidade social da classe média urbana no Brasil, a medicina e o judaísmo. Fonte: Academia Brasileira de Letras

Os 15 melhores romances brasileiros do século 21

Rodolfo Viana, no Brasil Post Neste momento, Chico Buarque e Augusto Cury são os dois únicos escritores brasileiros entre os 20 mais vendidos na categoria ficção em 2015. De acordo com o PublishNews, que monitora a vendagem de 12 cadeias de livrarias, “O Irmão Alemão”, de Chico, é o terceiro livro de ficção mais vendido nos 42 primeiros dias deste ano , com 19.304 exemplares. “Felicidade roubada”, de Cury, aparece na oitava posição, com 8.076 cópias. Ao olhar a lista, nota-se a quase hegemonia de romances “água com açúcar” e literatura erótica. Gayle Forman, John Green e E.L. James reinam soberanos na leitura dos brasileiros, hábito este que sempre é posto à prova: é comum a gente ouvir que “o brasileiro não lê”. Talvez seja esta a realidade. A última edição do estudo Retratos da Leitura, de 2012, revelou que o brasileiro lê apenas quatro livros por ano — e dos quatro, chega ao fim de apenas dois. Este cenário, contudo, pode estar mudando: os primeiros resultados do Vale Cultura mostraram que, entre janeiro e junho de 2014, dos R$ 13,65 milhões consumidos pelos portadores dos mais de 215 mil cartões do programa, 88,01% (aproximadamente R$ 12 milhões) foram destinados à aquisição de livros, jornais e revistas. Para que o brasileiro leia cada vez mais — sobretudo literatura produzida no País — o Brasil Post fez uma lista dos 15 melhores romances brasileiros publicados nos 15 primeiros anos do século 21. A seleção foi feita com base em premiações e na escolha do editor do portal. Eles não estão em ordem alguma — e certamente não são os únicos romances que merecem ser lidos. Tome a lista como uma bússola da produção literária neste século e boa viagem! 1) Cinzas do Norte’, de Milton Hatoum 2) ‘Vista Parcial da Noite’, de Luiz Ruffato 3) ‘Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios’, de Marçal Aquino 4) ‘O Filho Eterno’, de Cristovão Tezza 5) ‘Órfãos do Eldorado’, de Milton Hatoum 6) ‘O Drible’, de Sérgio Rodrigues 7) ‘K. – Relato de uma Busca’, de Bernardo Kucinski 8) ‘Se Eu Fechar Os Olhos Agora’, de Edney Silvestre 9) Opisanie Świata’, de Veronica Stigger 10) ‘Nove Noites’, de Bernardo Carvalho 11) ‘O Movimento Pendular’, de Alberto Mussa 12) ‘Sinfonia em Branco’, de Adriana Lisboa 13) A Chave de Casa’, de Tatiana Salem Levy 14) ‘Manual da Paixão Solitária’, de Moacyr Scliar Em muitas passagens, a Bíblia poderia ser uma novela de TV. Por exemplo, o capítulo 38 do livro Gênesis trata do patriarca Judá e de seus filhos Er, Onan e Shelá: todos eles se envolveram com a bela Tamar. Este é o ponto de partida de ‘Manual da Paixão Solitária’, que trata de um grupo de especialistas que estudam esta passagem bíblica durante um congresso. Apesar de jazer no Velho Testamento, o evento de Judá e de seus filhos com Tamar respinga nos dias de hoje, posto que a condição humana é única e todos temos paixões irrefreáveis que sempre brigam com nossos preceitos morais. 15) ‘Vozes do Deserto’, de Nélida Piñon Fonte: Livros Só Mudam Pessoas

Lançamento da página especial da exposição Moacyr Scliar – O Centauro do Bom Fim

A partir de hoje, convidamos todos a visitar a página sobre a exposição Moacyr Scliar – O Centauro do Bom Fim, que acabamos de lançar no endereço: www.moacyrscliar.com/exposicao É um espaço que descortina o universo mágico de um dos maiores nomes da literatura brasileira. Durante dois meses, a mostra retratou a vida e a obra do escritor gaúcho em uma área de 900 metros quadrados no Santander Cultural, em Porto Alegre. Repleta de recursos digitais e interativos, fotografias e réplicas de objetos, a exposição foi dividida em 10 ambientes, que contaram a história de Scliar a partir da vinda de sua família para o Brasil. A infância no Bom Fim, a carreira médica, a vida em família, os livros e personagens do autor ganharam vida novamente. Foi o evento cultural do ano em Porto Alegre. Um público recorde de 103 mil pessoas marcou presença na exposição entre os dias 16 de setembro e 16 de novembro de 2014. Outros 10 mil alunos puderam conferir a mostra através de visita guiada. Esta página é um espaço de reencontro, dedicado a reviver esses momentos que iluminaram a cena cultural na cidade. Os links incluem vídeos, fotos, depoimentos, reportagens e uma série de eventos paralelos. A mostra foi idealizada por Gabriel Oliven e por mim, com a curadoria de Carlos Gerbase. Um grande abraço, Judith Scliar e equipe organizadora

Moacyr Scliar e suas múltiplas identidades, no Santander Cultural

O rabino Nilton Bonder, doutor em Literatura Hebraica pelo Jewish Theological Seminary fala sobre a atuação de Moacyr Scliar nas diversas áreas a que ele se dedicou. Serviço: 13 de novembro às 20 horas Palestrante: rabino Nilton Bonder Local: Átrio do Santander Cultural Acesso pela Rua Siqueira Campos, 1125 Centro Histórico – Porto Alegre/RS Acesso por ordem de chegada. Sujeito à lotação do espaço.

Do Mágico ao Social: A arte de contar histórias, no Santander Cultural

Autor de mais de 80 livros, Scliar terá sua obra analisada por alguns dos seus colegas escritores mais próximos, que falarão sobre o homem por trás das palavras. Serviço: 12 de novembro de 2014 às 19h30 Mediador: Antônio Torres Participantes: Cíntia Moscovich, Ignácio de Loyola Brandão, Luis Fernando Verissimo e Luiz Antônio de Assis Brasil Local: Átrio do Santander Cultural Acesso pela Rua Siqueira Campos, 1125 Centro Histórico – Porto Alegre/RS Acesso por ordem de chegada. Sujeito à lotação do espaço.

Território da Emoção: A trajetória médica de Moacyr Scliar, no Santander Cultural

Neste seminário, médicos gaúchos falarão sobre a atuação de Moacyr Scliar na área da Medicina: da especialização no campo da saúde pública até sua atuação como médico sanitarista. No tempo em que o SUS ainda nem existia, Moacyr Scliar já tinha uma visão social da medicina. O bom médico, segundo ele, deveria olhar para os mais necessitados e atender bem sem distinção de classes. Como sanitarista, fez parte de equipes que reformularam a gestão da saúde pública no Rio Grande do Sul. Participou ativamente da luta contra a erradicação de doenças como coqueluche, tétano e difteria. Além disso, foi professor universitário e formou gerações de médicos preocupados com a questão social. Essa faceta será debatida na mesa redonda Território da Emoção: a Trajetória médica de Moacyr Scliar, no dia 28, às 19h30, na Sala Multiuso do Santander Cultural. A mediação será de Germano Bonow, com a participação de Airton Stein, Airton Fischman, Domingos Otávio D’Ávila, Maria Beatriz Targa, Rafael Botelho Foerngs, Sérgio Becheli e Walmor Piccinini. Eles vão relembrar passagens marcantes de Scliar pela medicina – e como ela influenciou sua carreira literária. Serviço: 28 de outubro de 2014 às 19h30 Mediador: Germano Bonow Participantes: Airton Stein, Airton Fischman, Domingos Otavio D’Avila, Maria Beatriz Targa, Rafael Botelho Foerngs, Sérgio Becheli e Walmor Piccinini Local: Sala Multiuso – Santander Cultural Centro Histórico – Porto Alegre/RS Acesso por ordem de chegada. Sujeito à lotação do espaço.